Coronavírus mostra que artigos de saúde precisam de alternativas sustentáveis

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O avanço da Covid-19 no mundo fez explodir a demanda por artigos ligados às indústrias farmacêutica e de equipamentos médicos. No início de março, o Departamento de Saúde americano calculou que, no pior cenário da pandemia, médicos e enfermeiros precisarão de 3,5 bilhões de máscaras cirúrgicas até o fim do ano – e isso só nos Estados Unidos. O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, estimou, por sua vez, que o combate à infecção respiratória causada pelo novo coronavírus exigirá mensalmente 89 milhões de máscaras, 76 milhões de luvas e 1,6 milhão de óculos de proteção no mundo. Segundo ele, a produção global desses itens precisaria crescer 40% para dar conta da demanda.

Hoje, muitos desses equipamentos representam, de algum modo, um desafio à sustentabilidade, como o fato de eles serem produzidos com plásticos de uso único (que não podem ser reciclados). No momento, todo o foco está em atender os afetados pela doença, mas, no médio e longo prazos, quando a crise atual for superada, é preciso que o setor volte suas atenções à criação de produtos e sistemas fabris mais sustentáveis.

Em artigo para a revista Forbes, o economista Nishan Degnarain, que ajuda empresas do Vale do Silício a identificar oportunidades de crescimento sustentável, aponta oito itens que, na crise do coronavírus, têm deixado evidente a urgência da adoção de caminhos menos danosos ao meio ambiente: cotonetes usados ​​em testes para identificar doenças; frascos de plástico usados ​​em kits de testes; luvas e máscaras cirúrgicas; respiradores; reagentes químicos necessários para os testes; produção de quaisquer medicamentos ou vacinas; e itens de higiene, como álcool gel e sabonete líquido.

O economista reconhece que a substituição de muitos desses itens não pode ser imediata, já que eles atendem a especificações médicas rigorosas, que versões mais sustentáveis não conseguiriam alcançar no curto prazo. Mas a lógica permanece: desenvolver opções para esses artigos que não dependam de petróleo nem sejam descartadas sem que se pense em um destino seguro para elas.

“Biocotonetes”

Degnarain cita os cotonetes como um exemplo do que poderia ser feito no futuro. “Assim como os canudos de plástico descartáveis estão sendo substituídos por bioplásticos, que não usam petróleo, há opções inovadoras para fabricar esses artigos usando novas fontes sustentáveis ​​e que atendem ao alto padrão médico necessário para os testes”, afirma. “Isso ajudaria a garantir que qualquer lixo biomédico levado a aterros sanitários não acabasse no oceano se descartado de forma inadequada.”

Para além da substituição do plástico e do látex convencionais por alternativas de base biológica, há um esforço a ser feito na melhoria de processos industriais, afirma ele. Isso é particularmente evidente na indústria farmacêutica, que desperdiça estimados US$ 50 bilhões por ano durante a fabricação de remédios. “Quando sairmos da crise da Covid-19, será necessário otimizar radicalmente os processos de fabricação de medicamentos para maximizar o aproveitamento de recursos escassos. Isso também precisa incluir medidas para gerenciar com mais eficácia o descarte de produtos farmacêuticos que hoje estão acabando em cursos d’água do mundo todo.”

O momento atual, com uma pandemia a ser enfrentada, não é adequado para se iniciar uma grande campanha contra a cadeia de matérias-primas da área de saúde, reitera o economista. Mas, em algum momento do mundo pós-coronavírus, isso precisa entrar na pauta de todos os envolvidos. “Nos próximos meses”, diz ele, “muitas empresas de biologia sintética e plásticos alternativos, com uma capacidade de produção valiosa, poderiam começar a ajudar nos desafios de sustentabilidade das indústrias de produtos médicos e farmacêuticos.”

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